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TIPOS DE TRATAMENTOS /ambulatorial

TIPOS DE TRATAMENTOS/DEPENDENCIA QUIMICA
tratamento da Dependência Química – Adicção (Alcool e outras drogas)
por : josino cardoso (terapeuta/dependencia quimica)
dependenciaquimica tratamento ambulatorial /contato-josinocardoso@hotmail.com /
centroterapeuticomonterey@hotmail.com
/013-99661-8367 /13-98202-7888

Neste breve texto gostaria de esclarecer um pouco sobre a busca pela ajuda de pacientes dependentes químicos. – com algumas modificações.

Nos casos em que não se aceita a existência do problema, antes de pensar numa internação, procure um profissional especializado. Agende uma consulta,de preferência especialista em dependência química.
A modalidade específica de psicoterapia é a( Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Racional-Emotiva-Comportamental ou Terapia Estratégica), com frequência variável ao longo do tratamento. Reforço estas técnicas específicas pois foram e são as mais pesquisadas através de ensaios clínicos, demonstrando alguma eficácia comprovada cientificamente.

A família pode ainda procurar grupos de mútuo-ajuda, presentes virtualmente em qualquer cidade do país. No caso do adicto os grupos presentes no Brasil são o A.A. (Alcoólicos Anônimos) e o N.A. (Narcóticos Anônimos). Para os familiares os grupos Amor-Exigente, AL-ANOM e NAR-ANOM.
A idéia de envolver a família no tratamento é primeiramente devido a minha experiencia no tratamento de dependentes quimicos que vem de aproximadamente 30 anos.A segunda é embasada também por publicações em revistas especializadas – muitas atitudes dos familiares mais próximos acabam gerando facilitações ao estilo de vida descompromissado do adicto, e os grupos de apoio têm se firmado como opções mais efetivas que a própria terapia familiar na mudança estrutural necessária na recuperação do dependente quimico.
Não havendo o menor sinal de progresso, ou se percebendo que a aceitação do problema era algo superficial, com o intuito de ganhar tempo e espaço para a persistência no uso, entramos na próxima modalidade de intervenção, exposta a seguir.
Infelizmente é comum pacientes, alegarem para familiares fragilizados “mas eu estou tentando, fazendo tudo certo, indo no grupo ”, numa clara tentativa de manipular e manter a situação em que se encontram.
A dependência química é considerada doença crônica, incurável, progressiva e fatal pela comunidade científica. É necessario uma boa terapia para ajudar o dependente quimico na mudança),talvez um dos fatores que a torna tão incômoda dentro da estrutura socio-familiar na qual o adicto se insere. Trabalhar a motivação do indivíduo é fundamental, somente um especialista pode avaliar se o lapso ou recaída no uso da substância é indicação de internação ou não.
estou falando de pacientes cujas famílias não dependem do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a porta de entrada para o tratamento em localidades onde o recurso existe seriam os CAPS-ad (Centro de Atenção Psicossoial para pacientes com problemas decorrentes do abuso e dependência de substâncias). Infelizmente são poucas as localidades que contam com tal aparelho – e talvez o mais triste seja o sucateamento de parte dos mesmos, com longas filas de espera e escassez de profissionais qualificados, especialmente longe dos grandes centros. Então, aos familiares e pacientes cabe a fiscalização, cobrança e denúncia da falta de serviços ou da inadequação dos mesmos quando for o caso, assim como o fariam caso estivessem pagando diretamente um hospital ou clínica particular (em caso de dúvida, procure o Ministério Público de sua região, tente falar diretamente com a promotoria da cidadania, responsável por assuntos ligados à saúde pública).
Quando existir indicação médica, internações voluntárias de variadas durações (sejam somente para desintoxicação, geralmente em clínicas especializadas, com duração média de 30-45 dias, sejam em comunidades terapêuticas, com duração média de 90-120 dias) podem auxiliar o processo de recuperação do indivíduo. Mas não são em si tratamentos definitivos – são somente uma parte do tratamento!
Leia adiante as definições ténicas dos diferentes serviços existentes – além dos serviços ambulatoriais (consultórios médicos,) tratados até o momento, existem serviços que trabalham em “regime fechado” ou de internação (clínicas psiquiátricas, clínicas de recuperação especializadas e comunidades terapêuticas).
Nos casos em que o paciente não aceita o prejuízo causado pela droga, ou que não aceita o tratamento oferecido (e requerido, do ponto de vista médico!), antes de optar pelo tratamento involuntário propriamente, oferecer ao paciente a possibilidade de uma internação voluntária em alguma clínica especializada para desintoxicação.
Antes desse período a capacidade do adicto recusar o uso da droga impõe força de vontade quase sobre-humana, já que a droga ainda circula por sua corrente sanguínea, e o sistema dopaminérgico, está longe de estar recuperado.
Em se tratando de alcoolismo com sintomas físicos de abstinência a internação em comunidade terapêutica é um risco. A Síndrome de Abstinência ao Álcool é uma das mais graves entre as diversas substâncias, com os característiscos sintomas de disautonomia, com tremores de extremidades e base de língua, picos hipertensivos em indivíduos não hipertensos (ou piora do quadro hipertensivo nestes), taquicardia, taquipnéia, sudorese, podendo evoluir dependendo do caso com confusão mental e alteração do nível de consciência (delirium tremens), com risco de coma e até parada cardiorrespiratória.
Muitas clínicas, especialmente particulares, aceitam qualquer tipo de internação, mas a estrutura de uma clínica que possa tratar com segurança estes tipos de casos deve contar com no mínimo.

Usando o exemplo da abstinência grave ao álcool, faz-se necessária a administração de doses de benzodiazepínicos em quantidade suficiente para restabelecer o balanço entre os sistemas inibitórios que recebe forte ação do álcool, e quando na sua privação entre em total desesquilíbrio. Apesar de ser uma das áreas com maior repercussão social (sabe-se que a maior parte dos dependentes que conseguem a recuperação abandonam eventuais envolvimentos com atos ilícitos pregressos!), infelizmente as manchetes não nos deixam esquecer que ainda existem depositários humanos, onde as famílias sequer tem acesso às instalações da clínica em questão.
Infelizmente, em muitos momentos não será possível acompanhar o paciente à Clínica, a família ficando com uma situaçao ainda mais delicada.Por isso quando faço a indicação faço o acompanhamento que geralmente os familiares não podem fazer,quando fazem não tem uma ideia clara sobre o tratamento oferecido.
Comunidades Terapêuticas são regidas por portaria específica da ANVISA (RDC29/2011, que revogou a RDC101/2001), onde o tratamento segue o tradicional modelo Minnesota, inicialmente adotado pelos Alcoólicos Anônimos, e depois pelos Narcóticos Anônimos, oferece um programa ao mesmo tempo simples e bem elaborado de 12 passos rumo à recuperação plena. Nestes serviços os pacientes permanecem por tempos pré-determinados em contrato – o tempo para cumprir um programa pré-estabelecido pela equipe técnica responsável. O conceito de comunidade terapêutica é antigo – o psiquiatra britânico Maxwell Jones escrevia sobre ela na década de 1950, quando participou da criação de um híbrido entre Hospital Psiquiátrico e Comunidade Terapêutica. De acordo com o psiquiatra George De Leon, maior autoridade mundial sobre o assunto, as comunidades seriam a reprodução em escala da vida em comunidade “real”, porém sem a presença de alcool ou drogas, e com regras claras de controle sobre qualquer tipo de ato antissocial.
Dentre as Comunidades encontramos realmente muitos problemas, geralmente o profissional psiquiatra especializado não participa das determinações da condução do caso, quando muito tais decisões são divididas com o terapeuta responsável.

A reabilitação de Dependentes Químicos devem necessariamente se adequar a RDC50, além de serem inscritas no CRM do estado onde funcionarem e de possuirem inscrição no CNES. A responsabilidade técnica (seja na forma de Direção-Técnica ou Direção-Clínica) é necessariamente médica, seja um psiquiatra ou um clínico especializado. Possuem projeto terapêutico bem definido, via de regra contando com equipe de profissionais de saúde completa para o tratamento de transtornos mentais no geral. Em algumas clínicas especializadas aliam-se aos profissionais de saúde consultores em dependência química, geralmente responsáveis por grupos de AA/NA, porém o foco do tratamento não é a programação dos “12 Passos”. Os atendimentos psiquiátricos são individuais, assim como os psicológicos. Além disso geralmente oferecem-se grupos terapêuticos diários, além de grupos de conscientização sobre a doença.
São os únicos serviços legalmente habilitados a oferecer tratamento involuntário, desde que respeitem a legislação vigente – o médico responsável deve comunicar o Ministério Público Estadual em até 72h da chegada do paciente (período no qual a equipe terapêutica tentará convencer o mesmo a aceitar o tratamento voluntariamente) e a família deve concordar com o procedimento. A alta também deve ser comunicada ao MPE dentro do mesmo prazo.

Tipos de tratamento

O tratamento da Dependência Química é um processo que conta com várias ações: psicoterapia, medicamento, internação etc.
Entretanto não são todas as pessoas que necessitam de todas as ações. O tratamento deve ser individualizado, ou seja, ele deve ser projetado de acordo com as necessidades do paciente e da família. Tratamento do tipo “pacotes”, nos quais todos os pacientes passam pelas mesmas ações invariavelmente e independente da substância que usam, dos problemas que têm, ou da gravidade da dependência podem funcionar para um subgrupo de pessoas, mas não para todas. Não existe um tratamento único que atenda a todos os dependentes químicos. O terapeuta deve avaliar cuidadosamente cada caso, discutir com o jovem e com a família o plano de tratamento mais adequado. Alguns precisarão tomar medicamentos, outros não. A grande maioria não precisa ser internada, mas alguns precisam. Outros terão como indicação uma psicoterapia, ou terapia familiar, assim por diante. Só o terapeuta pode discutir com o cliente qual é a melhor opção para ele.

1. Quanto à Modalidade Ambulatorial:
na maioria das vezes deve-se começar um tratamento pelo ambulatório. Como qualquer doença as internações devem ser reservadas para os casos mais graves. Ninguém começa um tratamento de diabetes internado diretamente, a menos que apresente uma descompensação, mas aí o quadro clínico passa a ser grave e a internação se justifica. Devemos ter o mesmo raciocínio para o tratamento das dependências químicas. Pelo senso comum estabeleceu-se uma cultura de que tratamento de dependência química é sinônimo de Internação. Tal atitude deixa muitos jovens com medo de ir ao médico ou psicólogo porque acham que já vão começar internando. A internação involuntária só pode ser realizada se houver risco de vida para o paciente ou terceiros. O tratamento ambulatorial é o tipo mais acessível de tratamento, não só pelo seu menor custo, como pelas “vantagens” que ele apresenta. Ao contrário do que se imagina, o tratamento ambulatorial, é mais efetivo do que a internação, pois procura tratar a pessoa sem tirá-la do ambiente no qual ela vive e nem afastá-la das tarefas do dia-a-dia. Também é possível desenvolver com o paciente um tipo de atendimento mais longo que inclua reinserção social, prevenção de recaída, etc. Quando o paciente é encaminhado para um serviço ambulatorial, a família deve estar envolvida no tratamento sendo que o paciente deve ter consciência da sua responsabilidade no processo. O educador deve, neste momento, orientar a família com relação à importância do problema e funcionar como retaguarda do aluno, acolhendo-o sempre que necessário.
Internação:
Modalidade reservada aos casos mais graves, que demandam cuidados intensivos. A internação é feita quando o profissional, que orienta o atendimento, percebe que a pessoa corre risco de vida, quando a própria pessoa prefere ser internada para se submeter ao tratamento, quando as tentativas ambulatoriais falharam, quando o jovem não tem uma rede de apoio familiar e social que o ajudará a ficar sem droga. A internação pode variar de alguns dias até 6 meses, dependendo da necessidade do paciente. Internações acima de seis meses não são mais eficazes que as internações mais curtas. Preferencialmente a internação deve se restringir ao período de crise e ser o mais breve possível. Há os recursos das semi-internações que são o Hospital Dia e o Hospital Noite. No primeiro, o paciente passa o dia no hospital e dorme em casa. No segundo, dorme no hospital e passa o dia fora. Estas modalidades de tratamento não são comuns em nosso meio e o Brasil carece de Serviços desta natureza.
Internação Domiciliar:
este é um recurso utilizado pelos terapeutas para evitar a internação hospitalar. O jovem deve ter um bom suporte social e familiar e concordar com a internação. Neste período ele fica dentro de sua própria casa, sem sair. Não vai à escola ou ao trabalho e as tarefas fora do lar devem ser realizadas por outra pessoa. Não deve ter contato com usuários de drogas.
2. Quanto à técnica
Psicológico:
O tratamento psicológico pode auxiliar e/ou complementar o tratamento psiquiátrico/medicamentoso e/ou funcionar como suporte motivacional e auxiliar na manutenção da abstinência. O psicólogo pode seguir diferentes linhas e independente da linha que siga irá sempre procurar trabalhar o lado emocional ligado ao problema sem receitar medicamentos. Muitas linhas psicológicas consideram a família do paciente um componente importante do tratamento e por isso o seu envolvimento é bastante freqüente. Existem diversos tipos de tratamentos psicológicos, em grupo ou individuais, que atendem às diferentes necessidades/características das pessoas. A linha mais utilizada atualmente é a chamada cognitiva. Pode-se usar também a linha comportamental, com treinamento de habilidades, entre outras. A psicanálise clássica, não se mostrou eficaz. É importante deixar claro que, se o paciente precisar ser medicado ou passar por uma desintoxicação, deverá procurar um psiquiatra.
Medicamentoso:
A necessidade de um tratamento psiquiátrico deve ser avaliada na primeira consulta do paciente. Existe muito preconceito em relação ao tratamento psiquiátrico que é, muitas vezes, associado ao tratamento de doentes mentais. O educador deve, neste caso, orientar a família para a necessidade de consultar um especialista em dependência química salientando os aspectos químicos e físicos envolvidos no problema. O psiquiatra deve ser visto, portanto, como especialista na avaliação de um plano de atendimento no caso da dependência química. Existem poucos medicamentos que ajudam na Dependência propriamente dita – apenas para o Álcool e Tabaco. Geralmente o médico vai utilizar-se de medicamento se houver alguma doença associada, por exemplo, Déficit de Atenção e Hiperatividade, Depressão, Ansiedade dentre outras.
Grupos de auto-ajuda:
Os grupos de auto-ajuda são grupos organizados por ex-dependentes e têm como base a troca de experiências, o aconselhamento e a religião. Os grupos de auto-ajuda não seguem nenhuma teoria específica, mas são extremamente eficientes, pois lidam com relatos de experiências vividas por outros dependentes que, desta forma, percebem o seu problema de uma outra maneira. Existem diferentes tipos de grupos de acordo com a dependência. Os A.A (Alcoólicos Anônimos) destinam-se a alcoólicos, os N.A. (Narcóticos Anônimos) são para dependentes químicos, o Amor exigente e ALANON são para familiares de dependentes. Para os adolescentes existe o ALATEEN.
Religioso:
A crença religiosa é muito importante no tratamento de dependências. Ela deve ser respeitada e valorizada pelos pais, mesmo que esteja em desacordo com as suas próprias crenças, pois funcionam como base de orientação para a abstinência e para o tratamento. Muitas vezes, os dependentes não fazem nenhum tipo específico de tratamento e apenas a religião ou a fé em alguma crença garante a sua abstinência.

http://www.abp.org.br – Associação Brasileira de Psiquiatria
http://www.amb.com.br – Associação Médica Brasileira
http://www.saude.gov.br – Ministério da Saúde
http://www.anvisa.gov.br – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
http://www.crmpr.org.br – Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná

http://www.naranon.org.br/

 

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A terapia multifamiliar no tratamento da dependência química/tipos de tratamentos

A terapia multifamiliar no tratamento da dependência química:

RESUMO

INTRODUÇÃO: A inclusão de intervenções focadas na família, através da terapia unifamiliar, ou da terapia multifamiliar (TGMF) vem crescendo como uma forma de enfrentar um problema tão grave e complexo como é a dependência química.
OBJETIVOS: Investigar e avaliar fatores associados à adesão ao tratamento multifamiliar no tratamento de dependentes químicos hospitalizados.
MÉTODO: A pesquisa é um estudo transversal retrospectivo, com uma amostra de 672 famílias participantes da TGMF durante o período de seis anos (de março 1997 a julho de 2003). Foi realizado um estudo dos fatores sociodemográficos como idade, sexo, tempo de uso da substância e quanto ao tipo de droga mais prevalente e investigada a associação entre o grau de parentesco do familiar participante do programa e a adesão ao tratamento multifamiliar. Foram pesquisados 672 prontuários de sujeitos que estiveram internados e ingressaram no programa de tratamento multifamiliar e os relatos das sessões descritos pelo terapeuta coordenador do grupo.
RESULTADOS: Há associação entre a participação da família e adesão ao tratamento. A participação de dois ou mais familiares repercute na adesão.
DISCUSSÃO: Os resultados sugerem que inclusão de um número maior de familiares poderá repercutir em uma maior adesão ao tratamento.

INTRODUÇÃO

A dependência química é um fenômeno de extrema relevância em termos de saúde pública, é multifatorial e sua complexidade exige que o tratamento implique em múltiplas abordagens terapêuticas (Silva, 2001). A terapia unifamiliar e/ou multifamiliar é inserida nesse contexto, intervindo nas famílias em plena crise.

Vários trabalhos na literatura (De Micheli & Formigoni, 2001; Liddle et al., 2001; Meyers, Apodaca, Ficker & Slenisck, 2002; Stanton & Todd, 1987; Steinglasss, Bennett, Wolin & Reiss, 1987) têm abordado a dependência de drogas como um fenômeno que afeta não somente o usuário, mas também seu sistema familiar, enfatizando assim a importância do estudo do funcionamento relacional dessas famílias.

Para cada indivíduo envolvido com álcool e/ou outras drogas, estima-se que 4 a 5 pessoas, incluindo cônjuges, companheiros, filhos e pais serão direta ou indiretamente afetados. Um episódio de embriaguez e intoxicação pode repercutir em um importante comprometimento das relações familiares refletindo-se diretamente nas crianças (Halpern, 2001).

Na maior parte dos casos, as instituições e os terapeutas recebem o dependente químico com a incumbência de entregá-lo “curado” à família, que efetivamente não é percebida como parte integrante do problema e, portanto, do processo de mudança. A passagem para a epistemologia ecossistêmica redimensiona essa visão, ampliando o foco, impedindo de fixá-lo no paciente identificado (Laranjeira, Jungerman & Dunn, 1998; Lopes & Seadi, 2002).

Na prática clínica já está estabelecido que a abordagem familiar é importante no tratamento de farmacodependentes em geral, mas, no tratamento de adolescentes usuários de drogas, a terapia familiar parece ser fundamental (Scivoletto & Andrade, 2001).

Em trabalho de revisão (Schenker & Minayo, 2004) sobre a importância da família no tratamento do uso abusivo de substâncias psicoativas, foram encontrados vários estudos empíricos cujos resultados atestam a efetividade dos tratamentos nos quais a família em si é o objeto de intervenção, com melhores resultados, se comparados àqueles centrados no paciente identificado. Porém, nesse estudo, as autoras verificaram que entre muitos profissionais de saúde não existe ainda o reconhecimento destas evidências, pois não são incorporadas nos contextos onde exercem suas práticas clínicas. As razões talvez residam em um escasso acesso a estas investigações, sinalizando uma lacuna, um distanciamento entre a pesquisa e o exercício da clínica.

Na terapia de família utiliza-se a terapia multifamiliar, uma técnica que se caracteriza por oportunizar um contexto em que os padrões de relacionamento intrafamiliares e os relacionais das famílias com a comunidade podem ser percebidos (Jancin, 2003; Thorngren & Kleist, 2002).

Outra característica da abordagem multifamiliar é possibilitar a cada membro do grupo ver os demais em interação, isto é, passar da compreensão particular à compreensão do outro, ampliando a percepção tanto das dificuldades quanto das formas de solucioná-las. O atendimento multifamiliar oportuniza às famílias repensarem os seus conceitos e incluírem-se no projeto de mudança.

Unem-se à terapia de família sistêmica os fatores terapêuticos do processo de grupo e estudos confirmam que esta associação resulta em um ambiente fértil para explorar comportamentos individuais no contexto dos relacionamentos interpessoais. Desencadeia a ampliação da consciência de grupo e de comunidade e, assim, do suporte social necessário para que sejam feitas as mudanças de comportamento desejadas (Ravazzola, Barilari & Mazieres, 1997).

A maioria dos familiares espera aprender a lidar com o dependente e receber orientação profissional. E há evidências da eficácia da terapia breve e grupal no sentido de adequar condutas, contribuindo para a melhora das relações e organizações do contexto familiar em dependência química (Figlie & Pillion, 2001).

A abordagem multifamiliar como uma intervenção breve na dependência química não entende os problemas das famílias como uma doença e sim como padrões relacionais disfuncionais e é focada nos recursos e habilidades que as famílias possuem para resolver os seus problemas. A revisão de literatura aponta para a importância da intervenção breve em problemas relacionados ao abuso e dependência de substâncias psicoativas. Afirma-se que existem evidências consistentes para recomendar a adoção de intervenções breves em diferentes contextos de tratamento como uma conduta básica pela sua efetividade comprovada, por ser um recurso economicamente viável, oportunizando o atendimento de milhares de pessoas envolvidas com problemas associados ao uso de substâncias psicoativas no Brasil (Marques & Furtado, 2004; Marques & Ribeiro, 2003).

A participação das mães, segundo estudo de Contel e Villas-Boas (1999), realizado no grupo de apoio multifamiliar em um hospital-dia psiquiátrico, repercute na adesão ao tratamento, corroborando outros achados da literatura que, por sua vez, ratificam a presença das mães como a mais constante. Estes autores encontraram relação do tempo de permanência de um paciente no tratamento com maior número de sessões frequentadas pelo familiar. As mulheres, especialmente as mães, foram a presença mais constante, respondendo por 80% de presença em cada grupo e marido e mulher raramente frequentavam conjuntamente os grupos.

A terapia multifamiliar é uma técnica particularmente útil e aplicável para abusadores e suas famílias. Esse tipo de terapia pode ser utilizado em qualquer contexto de tratamento da dependência química, mas é mais efetivo nos tratamentos em regime hospitalar porque é quando as famílias estão mais disponíveis e acessíveis (Sugar, 1986).

Tendo em vista a alta prevalência dos transtornos por uso de substância psicoativa e o papel importante da família no processo terapêutico destes sujeitos, bem como o número reduzido de estudos que abordam este tema, o objetivo desta pesquisa foi investigar os fatores que repercutem ou não na adesão da família ao tratamento multifamiliar.

MÉTODO

DELINEAMENTO

Trata-se de um estudo retrospectivo de levantamento de dados, coletados ao longo de seis anos, com base em prontuários de atendimento multifamiliar. As substâncias utilizadas pelos pacientes identificados foram: álcool, cocaína, maconha e outras substâncias. A nicotina não constou das drogas pesquisadas.

PARTICIPANTES

Foram pesquisados 672 sujeitos hospitalizados em uma unidade de desintoxicação de uma clínica psiquiátrica, especializada no tratamento de dependência química, cujos familiares participaram no mínimo de um encontro do grupo multifamiliar, no período compreendido entre março de 1997 e julho de 2003.

INSTRUMENTOS

O instrumento adotado foi uma ficha com dados sociodemográficos e informações quanto ao consumo de substâncias psicoativas e à frequência dos familiares às sessões.

PROCEDIMENTO

O procedimento adotado inicialmente foi contatar a clínica onde seria realizada a pesquisa e buscar junto à sua direção geral autorização para pesquisar e utilizar os dados neste estudo. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da PUCRS.

PROGRAMA DE TERAPIA MULTIFAMILIAR

A abordagem multifamiliar foi inserida no Programa para que o tratamento fosse extensivo à família.

O processo terapêutico era desenvolvido em 6 (seis) sessões visando contemplar as principais etapas do tratamento hospitalar: a fase pós-desintoxicação, o início das abordagens individuais e o imediatamente após a alta hospitalar e início da ressocialização.

O grupo multifamiliar era aberto com duração ilimitada quanto à sua existência, mas limitado para cada família, pois todo o processo terapêutico tinha a duração de seis sessões. Os grupos eram de final em aberto, com famílias saindo deles e outras neles ingressando. As sessões multifamiliares eram semanais e tinham a duração de uma hora.

Paciente designado, identificado, reconhecido. Esta expressão é utilizada para designar aquela pessoa cuja situação provocou uma demanda de tratamento por parte de um ou vários membros da família e mesmo daqueles profissionais obrigados a intervir na realidade (Miermont & Molina-Loza, 1994).

O paciente identificado deveria ter concluído a etapa de desintoxicação que dura em média uma semana; ter ingressado no Programa de tratamento com duração de mais ou menos 21 dias. O paciente podia participar das sessões multifamiliares somente acompanhado de no mínimo um familiar e/ou de alguém do sistema significativo. Não havia restrição quanto aos tipos de configurações familiares, grau de instrução, grau de parentesco ou idade para a participação no grupo.

Não era permitida a participação do paciente identificado e/ou seus familiares e/ou pessoas com vínculos significativos se estivessem intoxicados; o paciente não poderia estar desligado administrativamente do programa ou ter havido uma interrupção do tratamento independentemente da sua causa. Não era permitida a participação do paciente identificado sozinho, nem do familiar desacompanhado do paciente. Estava vedada a participação do paciente identificado ou seus familiares e/ou pessoas da rede social se apresentassem um funcionamento psicótico.

Havia contraindicação para a participação do núcleo familiar cujo paciente identificado e/ou seus familiares fossem pessoas de reconhecimento público (como por exemplo políticos, autoridades, artistas), evitando-se submetê-las à exposição e sabendo-se que este critério é válido para os grupos em geral e não somente para grupos multifamiliares.

Quanto ao número de participantes, variava desde sessões com duas famílias até sessões denominadas numerosas, comportando várias famílias com a presença de dezenas de pessoas.

As sessões começavam com a apresentação e o acolhimento das famílias iniciantes. E sempre que famílias estavam na 6ª sessão era oferecido um espaço para um depoimento, avaliação e despedida do grupo, ao final da sessão. Para as famílias que estavam enfrentando o tratamento do paciente identificado pela primeira vez, o sofrimento incluía também a dificuldade para realizarem a internação que em alguns casos iniciara de forma compulsória. Para esse grupo os temas recorrentes eram a culpa – o sentimento de culpa propriamente dito, e/ou a culpabilização; nesta era frequente um cônjuge atribuir ao outro a responsabilidade pelo problema do filho(a). No grupo percebíamos também a necessidade de saberem qual a causa da dependência e que uma grande expectativa de cura era depositada na internação. Nas famílias que já tinham experenciado a internação uma ou várias vezes era evidente a ambivalência entre “ajudar novamente e o largar de mão”. Os dependentes químicos na terapia multifamiliar traziam como tema um enorme sentimento de culpa pelo sofrimento causado à família com a sua conduta, em muitos casos agressiva, e uma necessidade enorme de reparação. Estes sentimentos eram explicitados através de palavras e também de expressões e/ou gestos (não verbais) e o arrependimento era demonstrado na sessão multifamiliar, sob forte impacto emocional repercutindo no grupo todo. Estes temas eram trazidos pelas famílias que estavam entre a 1ª e a 3ª sessão. Quando estavam próximos da alta hospitalar, isto é, entre a 4ª e a 6ª sessão, o medo da recaída, o receio do convívio familiar e o enfrentamento da realidade eram tratados nas sessões. Durante o desenvolvimento do processo terapêutico as dificuldades familiares que compartilhavam entre si transformavam-se em questionamentos, reflexões e vivências, nas quais também encontravam possibilidades de mudanças. A partir da temática (dores, temores e perdas) que as famílias de forma muito colaborativa expressavam durante as sessões, seus membros descobriam e construíam juntos uma rede de apoio e solidariedade, na qual a impotência cedia espaço para um comprometimento com a mudança. Trabalhava-se com o foco em dificuldades da família que poderiam problematizar a recuperação e com as possibilidades de mudanças familiares que se constituiriam protetoras e facilitadoras da recuperação. Durante os anos nos quais foram realizados os grupos multifamiliares, ao término de cada encontro, foi feito um registro pelo terapeuta coordenador do grupo a respeito de dados sociodemográficos dos pacientes e familiares que participaram das sessões.

Para esse estudo foi considerada adesão ao tratamento quando os sujeitos participaram de, no mínimo, 50% do processo terapêutico (3 sessões) ou mais.

PROCEDIMENTO ESTATÍSTICO

Este registro foi organizado em um banco de dados através do Statistical Package for Social Sciences – SPSS, versão 11.5. Foi realizada estatística descritiva, com medidas de médias e frequências. Na análise inferencial, foram utilizados o Teste Qui-Quadrado, Teste t de Student para Amostras Independentes, o Teste Exato de Fisher e a Regressão Linear Múltipla, método Stepwise. O nível de significância utilizado foi o de 5%.

RESULTADOS

DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS

O grupo de pacientes cujos familiares aderiram à terapia multifamiliar (G1) foi constituído de 427 participantes. No grupo de pacientes cujos familiares não aderiram ao tratamento (G2) havia 244 membros. Os dados sociodemográficos dos sujeitos encontram-se na Tabela 1 (ver anexo).

As substâncias utilizadas pelos pacientes identificados com múltiplas dependências foram, em ordem decrescente: álcool (n = 541; 80,5%), cocaína aspirada (n = 303; 45,1%), maconha (n = 265; 39,4%), outras substâncias (n = 160; 23,8%) e cocaína injetável (n = 64; 9,5%).

Não foi encontrada associação entre a adesão ao tratamento e o tipo de substância utilizada, resultado que está demonstrado na Tabela 2 (ver anexo). Não foi encontrada diferença na adesão no que diz respeito ao fato de ter sido hospitalizado pelo mesmo motivo anteriormente (p = 0,570). Houve diferença, de acordo com o Teste Qui-Quadrado (x2=18,51; p = 0,002), entre a aderência ao tratamento e o grau de parentesco dos familiares que mais participaram dos grupos. Os dados encontram-se demonstrados na Tabela 3 (ver anexo).

Quanto à participação de mais de um familiar e à adesão ao tratamento, de acordo com o Teste Exato de Fisher, foi encontrada associação entre estas variáveis (p < 0,001). A participação de mais de um familiar esteve associada a uma maior adesão. Estes dados encontram-se descritos na Tabela 4 (ver anexo).

Foi utilizada a Regressão Linear Múltipla, método Stepwise para avaliar o modelo que melhor explica a adesão dos familiares ao tratamento multifamiliar. Fizeram parte do modelo as seguintes variáveis: quantidade de familiares (B = 0,369; p < 0,001); familiar que mais participou (B = -0,248; p < 0,001) e idade (B = 0,108; p = 0,004).

DISCUSSÃO

Esta pesquisa é um estudo retrospectivo focado nos resultados de uma intervenção breve (seis sessões), de terapia multifamiliar desenvolvida em uma unidade de dependência química de uma clínica psiquiátrica. Os resultados dessa intervenção demonstraram a importância da inclusão do maior número de familiares desde o início do tratamento.

A dependência química e problemas relacionais são quase sinônimos, portanto, as famílias quando necessitam internar um familiar o fazem com muito sofrimento e com sentimentos ambivalentes de raiva, dor, fracasso, impotência e um desejo enorme de ajudar. Estudo realizado em Montreal (De Civita, Dobkin & Robertson, 2000) ilustra essas contradições banalizadas muitas vezes pelo contexto terapêutico que se reduzem a uma tradução no mínimo simplista: “são famílias resistentes”. Os autores realizaram um estudo sobre barreiras para adesão de “outros significativos” no tratamento ambulatorial de adultos adictos de um serviço de tratamento canadense. Torna-se visível que eles sentem suas próprias necessidades “ignoradas”, como no caso de um familiar que expressou o seguinte: “Quando você está tentando ser parte da solução e você é parte do problema, é difícil apoiar, ou seja, é difícil ser parte da ‘solução'” (De Civita, Dobkin & Robertson, 2000: 13).

Quanto maior é o número de familiares participantes do grupo de terapia multifamiliar, melhor é a adesão. Esse achado sugere o engajamento de um maior número de familiares no processo terapêutico, desde o início da internação. Indica que na fase inicial (primeiras internações) a família está sensibilizada e disponível e talvez seja mais viável mobilizá-la para o tratamento. Os comportamentos de cuidados que a presença de uma doença crônica gera tendem a esgotar os membros da rede social (Sluzki, 1997).

Quando se trata de dependência química, qualquer intervenção, mesmo que breve, é melhor que nenhuma e está indicada inclusive para pacientes gravemente comprometidos. Além disso, conforme descrito no Project MATCH Research Group (Copello & Orford, 2002), a unidade familiar oportuniza adesão mesmo antes de aquele que é o abusador de substância estar completamente motivado para a mudança, conforme demonstrado pelas abordagens “unilaterais”.

Percebe-se um equívoco nas famílias quando entendem que o tratamento só pode começar quando o dependente admite sua adição. Quando os pais ou outros significativos enfrentam a dependência química, buscam ajuda e revisam suas crenças, percebem que não são impotentes e que a mudança é viável, independentemente do paciente identificado (o dependente químico). Neste momento a família inicia o tratamento. É fundamental que os serviços especializados em dependência química ofereçam espaços de acolhimento aos familiares, independentemente de o paciente identificado aceitá-lo ou não. O tratamento deve se iniciar pelo familiar que percebe o problema e está mobilizado para fazer alguma coisa. Este familiar poderá convidar outros e, assim, com uma mobilização diferente da família, começa o tratamento. Esta família poderá encontrar nestes grupos, junto com outras famílias, formas de engajar o dependente químico no processo de recuperação. Os grupos de pares, de familiares e/ou multifamiliares são opções menos onerosas que podem tornar o tratamento familiar mais acessível.

Como já citamos anteriormente, os resultados da amostra estudada apontaram que a participação de dois ou mais familiares repercute em uma maior adesão ao tratamento. Esses resultados são corroborados por vários estudos que se referem à importância do trabalho de redes (Ravazzola et al., 1997; Schnitman, 2000; Sluzki, 1997). Para os seres humanos as relações sociais contribuem para dar sentido à vida de seus membros e favorecem uma organização da identidade por intermédio do olhar (e das ações) dos outros. A rede proporciona uma retroalimentação cotidiana a respeito dos desvios de saúde que favorece os comportamentos corretivos através da associação positiva com cuidados com a saúde.

Para a maior parte dos usuários de substâncias psicoativas, o comportamento aditivo contribui para o isolamento individual, reduzindo sua rede à rede de pares – subcultura da droga (Lopes & Seadi, 2002). Essa redução da rede em muitos casos é semelhante e simultânea ao processo de isolamento familiar, no qual as rotinas são modificadas, os rituais abolidos e a celebração de datas festivas evitadas (Steinglasss et al., 1987). Sugere-se que um dos caminhos importantes no tratamento da dependência química é incluir o maior número de familiares, desde a família nuclear à família extensa. Outro dado importante sugerido nos resultados é que o engajamento dos familiares deve ser uma meta, principalmente no início do tratamento. Ou seja, quanto mais cedo for a inclusão dos familiares, melhores serão as chances de adesão familiar e de sua coparticipação, funcionando como um fator protetor à tendência das famílias em transformar instituições e terapeutas nos responsáveis pela “cura”.

Para chegarem até a internação hospitalar as famílias superaram vários obstáculos e este é só o começo do tratamento. Os cuidados demandados pelo dependente químico em sua recuperação são muitos, o tratamento pós-internação é de longa duração e os familiares ora ficam cansados ora desapontados, e alguns pensam em desistir de seguir em frente. Também há o excesso de otimismo, com o depósito de todas as expectativas na internação. Mas a participação de mais familiares colabora para que mais pessoas estejam informadas sobre o seu papel em cada etapa do tratamento. Uma maior colaboração dos parentes repercute ainda em maior empenho do sistema familiar para que construam novas formas de convívio, onde a droga não pode estar presente.

Conforme vários especialistas em terapia multifamiliar “nas reuniões multifamiliares, as famílias se convocam para ajudar a solucionar o problema de uma e de todas, gerando-se um verdadeiro efeito de rede” (Ravazzola et al., 1997: 302). O uso da terapia de grupo multifamiliar com famílias de risco possibilita a muitas famílias a construção e/ou ampliação da rede social muitas vezes empobrecida pela vergonha associada ao estigma dos serviços psiquiátricos (Sluzki, 1997).

Na clínica da dependência química, a TGMF possibilita que as famílias acionem uma rede de recursos, significando uma ampliação do foco e a geração de uma rede de possibilidades. Os resultados desse estudo ratificam a importância de os serviços especializados em dependência química adotarem a terapia multifamiliar e/ou de rede como mais uma abordagem terapêutica para o tratamento da dependência química e de toda a sua complexidade.

Neste estudo foi considerada adesão ao tratamento àquelas famílias (G1) que participaram de no mínimo 50% do processo terapêutico (3 sessões) ou mais. Os resultados demonstram que entre as mais de 600 internações estudadas a substância psicoativa de maior prevalência é o álcool. Assim, confirmou-se que o consumo de drogas lícitas como o álcool, por exemplo, é superior ao de drogas ilícitas, achado semelhante ao estudo conduzido por Penchansky, Szobot & Scivoletto (2004).

A amostra apresentou um predomínio de pacientes identificados do sexo masculino, reiterando os dados da literatura que apontam uma maior prevalência deste gênero entre os usuários de substâncias psicoativas (Almeida-Filho et al., 2004).

Da mesma forma, a idade mínima encontrada na amostra, que foi de 14 anos, obteve respaldo na literatura científica, que evidencia o início cada vez mais precoce do uso, abuso e dependência de substâncias psicoativas (Carlini et al., 2005; Penchansky et al., 2004).

Neste estudo os mais jovens foram os P.I. dependentes de inalantes com a idade média de 19,95 anos e os mais velhos os dependentes de medicamentos e de álcool com idades médias de 34,34 e de 35,53 anos, respectivamente. O percurso feito por algumas pessoas, do beber nocivo à dependência do álcool, pode demorar até 30 anos. Como nossa cultura é extremamente permissiva com o consumo de bebidas alcoólicas há uma maior tolerância e, em muitos casos, a busca de tratamento é postergada. Muitos dependentes do álcool são internados em um hospital geral para tratarem somente as complicações clínicas. Não houve diferença na adesão quanto ao sexo, estado civil e idade.

A presença de pais, mães e filhos esteve associada a uma maior adesão ao tratamento, resultado corroborado pelo estudo de Contel e Villas-Boas (1999), no qual a adesão do paciente ao tratamento está relacionada a um maior número de sessões frequentadas pelo familiar. As mulheres, especialmente as mães, foram a presença mais constante, respondendo por 80% em cada grupo.

A participação dos filhos também esteve associada à adesão ao tratamento. No estudo foram agrupados tanto os filhos menores, quanto os maiores de doze anos. Conforme dados da literatura especializada em família (Grandesso, 2000; Penso & Sudbrack, 2004), sabe-se que quando uma doença crônica surge em uma família existe a possibilidade de que um (ou mais) dos filhos (em geral o mais velho) seja alçado à função de filho parental, ou seja, “o filho que cuida de um ou de ambos os pais”.

Os filhos “cuidadores de seus pais” são aqueles que assumem o cuidado dos irmãos menores, buscam seus familiares nos bares ou pagam dívidas de drogas e estão dia e noite vigilantes, abdicando de viverem suas próprias vidas. Entende-se que esse poderia ser o foco de um outro estudo.

No trabalho com a TGMF, famílias com configurações muito diferentes, de nível de instrução e de condições econômicas variadas unem-se no enfrentamento de um problema tão grave como é a dependência de drogas.

CONCLUSÕES

As pesquisas evidenciam a etiologia multideterminada da dependência química e a família como um desses fatores determinantes.

Existem poucas pesquisas associando a dependência química às intervenções focadas na família e na rede social, apesar da preocupação da sociedade com o aumento de problemas relacionados ao uso e abuso de substâncias, e consequentemente à existência de muitas famílias envolvidas. Os serviços especializados em dependência química, em sua maioria, não adotam a abordagem familiar como uma prática sistemática.

Sem dúvida, a família tem um papel fundamental como protetora para o uso e abuso de substâncias, mas, quando a dependência química já é um fato, o tratamento, inclusive da família, deve ser adotado sempre e a prática evidencia que o quanto antes melhor. Na medida em que para cada dependente químico esperam-se, no mínimo, quatro a cinco pessoas envolvidas, são relevantes estudos que possam contribuir para uma visão ecológica no tratamento da dependência química na qual sua multicausalidade é considerada, inclusive a família.

Nas situações em que o dependente está realizando tratamento hospitalar pela primeira vez na vida, há um sofrimento familiar muito grande e, ao mesmo tempo, muitas expectativas são depositadas na instituição que o recebe, como a de que a internação magicamente resolverá o problema.

A participação de dois ou mais familiares repercute em uma adesão de até 57,9%. Esses resultados sugerem que a participação de um número maior de familiares poderá repercutir em uma maior adesão ao tratamento.

 

Dependencia quimica tratamento ambulatorial

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A terapia cognitiva racional emotiva- comportamental ?
A terapia cognitiva comportamental ocupa-se tanto com que as pessoas fazem quanto com o que elas sentem. A terapia cognitiva comportamental nos ajuda a entender que o que é sentido não é um “sentimento”, mas um estado mental. Nós não choramos porque estamos tristes ou sentimos tristeza porque choramos, nós choramos e sentimos tristeza porque aconteceu alguma coisa. Para cada sentimento existe alguma situação que ocorreu anteriormente que provocou este estado. O terapeuta se interessa por essa situação anterior, e assim promover as mudanças para ajudar esta pessoa a resolver suas dificuldades de interpretar sua cognições. A terapia cognitiva comportamental é acima de tudo, um processo de aprendizagem sobre você mesmo e como desenvolver novos comportamentos. É a forma de aumentar sua capacidade de interagir e não de reagir a forma que você quer agir.
O que faz Terapeuta cognitivo Comportamental?Além de ouvir, analisar e interpretar o que o paciente lhe diz, ele ensina estratégias de comportamento que poderão produzir mudanças na vida de seus pacientes.
O objetivo final é o comportamento. A vida emocional e mental, é vista através da introspecção, num processo de auto-exame. Foi preciso evoluir no estudo do funcionamento do ser humano como um todo para que pudéssemos compreender que o que faz alguém procurar um terapeuta é uma queixa ligada às coisas que ela faz ou deixa de fazer. Tão importante quanto a angustia sentida na depressão são os comportamentos de lentidão, falta de cuidados com o próprio corpo, prejuízos nas atividades sociais e profissionais, etc.A terapia é fundamentada num campo chamado Análise do Comportamento. As emoções também são do interesse da terapia cognitiva racional emotiva comportamental.A terapia cognitiva comportamental leva em consideração o lado operante em toda emoção. O medo não é só uma resposta das glândulas e dos músculos, mas também uma paralisia e um comportamento de afastamento do objeto temido. O lado operante da raiva é o impulso em causar dano a alguém e um impedimento em ser agradável com a pessoa que lhe provocou raiva. A terapia cognitiva racional emotiva em geral se ocupa com; sentimentos, ansiedade, medo, raiva, etc. Um ponto importante da terapia racional emotiva é que ela nos mostra que um comportamento tem mais probabilidade de ser repetido quando a pessoa recebe um reforço positivo. Quando dizemos que fazemos alguma coisa “com a intenção de produzir um dado efeito”, estamos atribuindo nosso comportamento a alguma coisa localizada no futuro, mas o comportamento deve-se mais ao que aconteceu no passado do que ao que vai acontecer no futuro.Analise funcional da terapia cognitiva comportamental.O terapeuta comportamental fará a análise funcional, ou seja, entenderá em função do que o comportamento está baseado.O terapeuta ajudará o paciente a entender que o comportamento que ele quer mudar foi estabelecido pelas consequências e sempre terá uma função em sua vida, mesmo que este comportamento seja inadequado. Por exemplo, um paciente que queira deixar de ser introvertido e passar a ser mais espontâneo e participar da vida social e profissional com mais eficiência. A terapia comportamental o ajudará a ver que este comportamento introvertido tem uma função em sua vida, provavelmente o protege de retaliações, imaginárias ou não, por parte das pessoas que não o aceitariam com uma atitude mais extrovertida.O terapeuta descobrirá que estes comportamentos indesejados foram iniciado e também o que os mantém.Para esta analise o terapeuta considerará a história de vida do paciente, seu momento atual e sua relação com o terapeuta. Ele fará perguntas ao paciente que ajudarão o paciente a entender a relação entre seu modo de agir e os eventos anteriores que controlam seu comportamento. o processo A terapia ajudará o paciente compreender-se, entender que faz o que faz e encontrar caminhos para fazer as coisas de modo diferente e melhor. É um momento onde poderá “limpar” as influencias negativas e ajudará a encontrar uma forma de ser apenas você mesmo, ou seja, não ter sua ações contaminadas por medos e ansiedades e outras influencias.Para quais casos a terapia cognitiva racional emotiva comportamental é indicada.Transtornos de humor, como a depressão. Transtornos de ansiedade como a síndrome do pânico, TOC, transtornos psicossomáticos e alimentares como a obesidade, anorexia e bulimia. Transtornos psicossociais, timidez,dependencia quimica de alcool e outras drogas e em todos os casos onde fez necessário a mudar os comportamentos auto destrutivos.
Links úteis/dependentes quimicos/ e seus familiares terapeuta/josino

 
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Tratamento Ambulatorial e Internação para dependentes quimicos

O tratamento ambulatorial, em alguns casos, dispensa a necessidade imediata de uma internação.

A consciência e participação da família durante este processo pode ser um suporte fundamental.

O Tratamento Ambulatorial deve representar a modalidade de tratamento que primeiro trará luz sobre a dimensão exata da dificuldade individual, limitações e possibilidades de tratamento para o , dependente quimico e seus famíliares.

Identificar, planejar e indicar outras outras modalidades e/ou atitudes frente o problema com Alcoolismo e as Drogas.

Essa alternativa permite se iniciar uma mudança significativa de vida sem precisar interromper outras atividades fundamentais, como trabalho, estudo ou convívio e relacionamento familiar.

Durante o período do tratamento ambulatorial estratégias tem que ser pensadas para que todos os interessados estejam cientes de possibilidades, etapas, atentos a evolução, seguros e aptos a tomarem decisões orientadas e apoiadas pelo Terapeuta da área de Dependência Química.

Orientação familiar, acolhimento, suporte técnico e monitoramentos através de testes são alguns dos recursos utilizados no Tratamento Ambulatorial.

Investir em informação, manejo e prevenção em tratamentos realizados em ambiente ambulatorial é inteligente, corajoso, honesto e “mais barato” que uma internação em alguns casos.

A antiga crença de que apenas uma internação pode ser a solução para um “problema com drogas” ainda é muito reforçada pela falta de informação e conhecimento sobre outras opções e modalidades de tratamento.

Um bom tratamento ambulatorial, independente da gravidade da situação, oferece aconselhamento, diagnóstico de uso, avaliação psicossocial e desta forma consegue, com melhores resultados, o encaminhamento e direcionamento de ações e decisões, tanto para o paciente quanto familiares.

O ambulatório nada mais é que um consultório com estrutura minimamente adequada, profissional, com característica sigilosa.

É importante lembrar que dependência química, na maioria das vezes, está acompanhada de outras doenças que se não diagnosticadas e tratadas podem inviabilizar um tratamento.

O papel do Terapeuta para dependentes quimicos
Desde o primeiro momento (acolhimento, entrevista, planejamento e instrução) o Terapeuta deve, dentre outras competências, compreender a necessidade imediata de quem procura por atenção especializada. Na construção de estratégias que visam “solução de problemas” o profissional em questão assume papel gerencial sendo a “ponte” para outros profissonais e/ou aparatos de tratamento.

Avaliação e  Diagnóstico de uso

Aconselhamento -

Tratamentos-

Encaminhamento

Planejamento e Acompanhamento

Planejamento de vida -

intervenção Planejada -Monitoramento -Suporte

O papel da Família
Quando pessoas convivem juntas elas aprendem a se comunicar de muitas maneiras diferentes, intuitivas e sutis.
Honestidade nas relações familiares é sinônimo de saúde. Falar abertamente sobre doença, limites, dificuldades e prazeres inerentes à vida humana também é papel da família. O que parece simples nem sempre é fácil mas é sempre essencial. Quando o assunto é saúde a comunicação passa a ser fundamental.

 

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Dependentes Quimicos Tratamentos Ambulatorial e Internações (Internações com acompanhamento do terapeuta na clinica com a participação do terapeuta diretamente no tratamento do paciente) Contatos-terapeuta-josino cardoso. (13)996618357. (13)98202-7888 A terapia racional cognitiva comportamental, pode Ajudá-lo. O Tratamento Ambulatorial deve representar a modalidade de tratamento que primeiro trará luz sobre a dimensão exata da dificuldade individual, limitações e possibilidades de tratamento para o , dependente quimico e seus famíliares. Identificar, planejar e indicar outras outras modalidades e/ou atitudes frente o problema com Alcoolismo e as Drogas. Orientação familiar, acolhimento, suporte técnico e monitoramentos através de testes são alguns dos recursos utilizados no Tratamento Ambulatorial. Investir em informação, manejo e prevenção em tratamentos realizados em ambiente ambulatorial é inteligente, corajoso, honesto e “mais barato” que uma internação em alguns casos. Um bom tratamento ambulatorial, independente da gravidade da situação, oferece aconselhamento, diagnóstico de pós tratamento, avaliação psicossocial e desta forma consegue, com melhores resultados, o encaminhamento e direcionamento de ações e decisões, tanto para o paciente quanto familiares. O ambulatório nada mais é que um consultório com estrutura minimamente adequada, profissional, com característica sigilosa. É importante lembrar que dependência química, na maioria das vezes, está acompanhada de outras doenças que se não diagnosticadas e tratadas podem inviabilizar um tratamento. Avaliação- Diagnóstico Aconselhamentos -Tratamentos- Encaminhamento- Planejamentos e Acompanhamento-Planejamento de vida -pós tratamento.

para maiores informações ligue ja- 13-996618367 -982027888

 

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Adicção também é uma doença da Família
Adicção é uma doença familiar. Esta doença afeta emocionalmente e fisicamente o adicto e afeta também dramaticamente as relações com as pessoas que têm envolvimento com o adicto. Os amigos e tambem os famíliares, que se preocupam tanto com esta pessoa que são facilmente envolvidos na loucura de seus comportamentos. Começam a centrar toda a sua atenção no adicto e fazer tentativas de controlar e corrigir a vida dele ou dela. Esta é nossa forma da doença (doença da família).

Nosso comportamento, apesar de bem intencionado, torna-se tão louco quanto o do adicto. Nós começamos a procurar evidências de uso e a nos concentrar nas coisas nós pensamos poder fazer para conseguir que eles deixem de usar. Nos comportamos: jogando as drogas na privada, destruindo os instrumentos de uso, importunando, brigando, reclamando, discutindo e negociando – tudo sem resultado. Todo nosso esforço e raciocínio é dirigido para o que o viciado está fazendo ou deixando de fazer. Esta é nossa obsessão.
Ver um outro ser humano se matar com cocaína, álcool ou outra droga é doloroso. O viciado gasta altas somas de dinheiro aparentemente desinteressado sobre suas contas, seu trabalho, sua família , ou a condição de sua própria saúde. Além disso, a possibilidade de prisão, a violência potencial dos traficantes de droga e o comportamento irracional do adicto (devido à paranóia deles/delas), atormenta as pessoas que os cercam. Nós começamos a preocupar. Nós arrumamos tudo: dando desculpas, pagando as contas e dívidas deles/delas, falando mentiras para encobrir o comportamento do adicto e tentando reparar relações danificadas. Aí então nós nos preocupamos um pouco mais. Esta é nossa ansiedade. 
Com o tempo, a situação e o comportamento do adicto nos deixam bravos. Ficar constantemente encobrindo-os, aguentar repetidamente situações embaraçosas, e perceber que o viciado não está levando a sério suas responsabilidades acaba nos afetando. Muitos de nós sentimos uma hostilidade constante e raiva contra nós mesmos. Nós começamos a nos sentir usados e sem amor – e queremos reagir por causa da dor e frustração causada pelo descontrolado abuso de droga . Nós às vezes perdemos nossa
Paciência, fazendo ameaças vazias, nos agarramos no passado ou simplesmente permanecemos desesperadamente silenciosos. Esta é nossa raiva. 
Às vezes nós fingimos que tudo está OK, aceitando promessas do adicto. Nós queremos acreditar que o problema foi-se embora cada vez que o abuso de drogas pára temporariamente. Quando todo bom senso nos diz que há algo definitivamente errado com as ações e atitudes do adicto, nós ainda nos escondemos de nossos sentimentos e do que nós já sabemos. Esta é nossa negação. 
Possivelmente o sentimento mais devastador que nós experimentamos como resultado de viver com o adicto é o medo que não sejamos suficientemente inteligentes ou bons para ter resolvido o problema para aquêle que nós amamos. Nos sentimos de alguma maneira responsáveis de que poderia ter sido algo que nós fizemos ou que deixamos de fazer. Este é nosso sentimento de culpa. 
Ao alcançar um ponto de desespero emocional, nós vamos ao grupo de mútuo-ajuda inicialmente buscando ajuda para o viciado. Nós queríamos alguém para nos contar como resolver nosso problema porque sabíamos que já não podíamos lidar com isto sozinhos. Nos sentíamos aprisionados por responsabilidades, desamparados e sozinhos. Ao mesmo tempo, alguns de nós até nos sentíamos cheio de razões e arrogantes. 
No grupo de apoio, nós nos damos conta dos problemas e aprendemos que nossa maneira de raciocinar tem que mudar para começar a achar soluções. No Grupo de Apoio, nós aprendemos a lidar com nossa obsessão, ansiedade, raiva, negação e nosso sentimento de culpa. É através do companheirismo que nós minoramos nosso desespero emocional compartilhando nossa experiência, força e esperanças com os outros. Trabalhando os Doze Passos de recuperação, nós tentamos mudar nossas atitudes, aprender sobre nossa responsabilidade para com nós mesmos, descobrir sentimentos de auto-valorização, amor e crescemos espiritualmente. O enfoque começa a mudar do adicto e se torna dirigido para nossas próprias vidas.

 

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O uso do crack pode causar impactos profundos nas relações sociais e familiares dos dependentes quimicos. Quando o uso das drogas se tornam frequentes, a pessoa deixa de sentir prazer em outros aspectos da vida, como o convívio com parentes e amigos. Toda a dinâmica familiar e social é afetada por esse comportamento, fragilizando os relacionamentos.

O uso abusivo do crack está associado ao isolamento, perda ou afastamento do trabalho, estreitamento do repertório social e problemas familiares como separações conjugais, deterioração da convivência e isolamento. “O usuário se afasta do círculo familiar e dos amigos e passa a maior parte do tempo sozinho consumindo a droga ou com pessoas que também fazem o uso. As relações são caracterizadas mais pelo consumo coletivo da droga do que por vínculos afetivos”, afirma.

No casal, a relação de cumplicidade e o cuidado com o relacionamento deixam de existir – a droga passa a ser o centro das atenções. “O usuário de crack não consegue se organizar, ter ritmo, ser constante. Além disso a depressão e a angústia o impedem de cuidar de outros e mesmo de estabelecer relações estáveis.

“A perda da guarda de filhos é uma consequência comum. A criança precisa de cuidados especiais, ritmo e relações saudáveis para que possa se desenvolver. O uso constante de crack é inversamente proporcional aos cuidados necessários que um pai ou uma mãe devem dar”, reforça. Neste sentido, o resgate das relações de apoio e/ou dos vínculos familiares é aspecto importante para o tratamento e a reinserção social do usuário.

O uso do crack tende a fragilizar todas as pessoas que fazem parte da vida do dependente e sentimentos como desespero, angústia e medo acabam por permear as relações familiares. “Diante da droga, muitas famílias acabam se escondendo e se culpando, pois têm de enfrentar mais problemas do que aqueles que já estão habituados a encarar. É um movimento que gera mais fragilidade e impotência e reforça ainda mais o espaço da droga na vida das pessoas.

Ela ressalta, entretanto, que essas situações são muitas vezes causa e conseqüência do uso da droga. “Em relações frágeis, o uso do crack acaba potencializando a fragilidade e acentuando ainda mais as dificuldades que já existiam”, diz.

O uso do crack pode prejudicar as habilidades cognitivas (sentimentos) envolvidas especialmente com a função executiva e com a atenção. Este comprometimento altera a capacidade de solução de problemas, a flexibilidade mental e a velocidade de processamento de informações.

A literatura científica sobre os efeitos neurológicos e psicológicos do crack demonstra que a droga pode causar danos às funções mentais, com prejuízos à memória, atenção e concentração.É muito comum o desenvolvimento e agravamento da impulsividade, o que leva os indivíduos a fazerem escolhas mais imediatistas, sem avaliar as conseqüências para o futuro. “Em muitos casos, dependendo da predisposição genética, os indivíduos desenvolvem sintomas psiquiátricos, psicóticos e ansiosos, como depressão, delírios e ataques de pânico”, diz o especialista.

OS psiquiatras afirmam, ainda, que o uso da droga pode provocar transtorno bipolar, resultado do mecanismo de rápida e intensa euforia, logo após o uso da droga, que logo é substituída pela depressão, quando o usuário está em abstinência. “Os danos causados tendem a persistir por meses e até anos depois que o individuo deixou a droga. Já os sintomas psiquiátricos podem desaparecer com mais facilidade, exceto para os indivíduos que tenham predisposição para esse tipo de doença.”

EFEITOS E CONSEQUÊNCIAS
FÍSICOS
Das vias aéreas até o cérebro, a fumaça tóxica do crack causa um impacto devastador no organismo. As principais consequências físicas do consumo da droga incluem doenças pulmonares e cardíacas, sintomas digestivos e alterações na produção e captação de neurotransmissores. Veja no infográfico quais são os efeitos agudos e crônicos do uso da droga.

Um psiquiatra especialista no tratamento de dependência química, declarou ser favorável ao projeto de lei (nº 6.073) do parlamentar, que promove mudanças na lei que, em 2006, instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad).

De acordo com o projeto  todos os usuários que apresentarem elevado grau de dependência, a ponto de serem considerados, de acordo com laudos médicos, incapazes de tomar decisões pessoais, serão submetidos a tratamento de saúde especializado e obrigatório.

Ainda, segundo o projeto, também serão obrigados a se tratar todos aqueles que, mesmo não sendo totalmente dependentes, forem presos pela terceira vez por uso de drogas.

– Sou totalmente favorável ao projeto porque, comprovadamente, conforme demonstram dezenas de estudos realizados a respeito dessa questão, o tratamento compulsório destinado à recuperação de dependentes de droga dá mais resultados positivos do que os feitos voluntariamente, ou seja, com a concordância do paciente –

Durante a entrevista,o que se ressaltou tem grande aceitação popular o seu projeto de lei, que, além do tratamento compulsório, prevê a possibilidade de o juiz poder determinar a prisão de até 30 dias para os condenados por porte de drogas que não cumprirem as penas alternativas imputadas.

O Sisnad acabou com a pena de prisão para usuários e estabeleceu apenas multa e admoestação verbal (advertência) como sanções a serem aplicadas aos que não cumprirem as penas alternativas.
Em entrevista, o psiquiatra alertou para importância de o governo federal investir em campanhas publicitárias que esclareçam a população sobre os riscos oferecidos pelas drogas, principalmente o crack.

– A droga, sobretudo o crack, que está criando uma geração de perdidos, instaura o caos no âmbito familiar do dependente e o leva à morte, de forma humilhante – afirma os psiquiatras

Jovens que fazem uso de maconha por seis anos ou mais têm o dobro de chances de sofrer episódios psicóticos, alucinações ou delírios do que quem nunca usou as drogas, afirmou estudo do Instituto Neurológico de Queensland, na Austrália.

O coordenador da pesquisa, John McGrath, estudou por 21 anos cerca de 3,8 mil pessoas nascidas entre 1981 e 1984 e acompanhou a frequência de uso da droga.

“Pessoas que experimentaram maconha tinham duas vezes mais chances de ter psicose não-afetiva, como esquizofrenia”, disse McGrath, ressaltando que, quanto maior é o tempo de uso, mais alto é o risco de ter psicose.

Os estudos também revelaram que os usuários do entorpecente tinham quatro vezes mais chances ter delírios.

De acordo com a Política Pública de Saúde de 2011, prevê a internação involuntária, inclusive para menores de idade, sem o consentimento do usuário, a pedido de parentes ou representantes legais.

Esse é um tema bastante polêmico, em que profissionais da área da saúde, organizações não governamentais, instituições públicas e familiares têm opiniões diferentes.

De acordo com o psiquiatra “A duração apropriada do tratamento para um indivíduo depende de seus problemas e necessidades. Pesquisas indicam melhora significativa sendo alcançada num período de 90 dias a dois anos de intervenção terapêutica (que vai de internação até tratamento ambulatorial).”

Para o especialista, existe uma série de remédios e procedimentos que estabilizam de forma segura os sintomas do paciente. “As medicações entram para restabilizar o cérebro a diminuir seu apetite em consumir drogas, deixando-o mais estável para manter a motivação para continuar abstêmio”.
“É importante lembrar que o dependente químico não é um criminoso, mas um doente e que precisa de tratamento”.
De acordo com a lei,o <http://dependenciaquimica.comunidades.net  pode ser aplicada nos casos em que a droga desencadeia problemas sérios de saúde tais como surtos psicóticos no dependente, a ponto de ameaçar a vida de quem está ao redor. Evidências apontam que uma internação involuntária é efetiva, pois o paciente experimenta a oportunidade de se perceber em abstinência, ideia esta fora do imaginário de quem está em pleno uso.

A recuperação é um processo que requer vários tipos de intervenção em diferentes níveis de tratamento. Tal como uma doença crônica, é passível de recaídas. A participação em programas de tratamento ambulatorial e de apoio e de autoajuda são amplamente aconselhadas. Os familiares podem não saber o momento exato de recorrer. A ajuda de um profissional mais especializado é fundamental para orientar os familiares.

A família deve orientar e dar exemplo sempre, mas o assunto drogas é bem difícil de ser discutido e avaliado de forma correta quando há um envolvimento emocional entre os membros – como mãe e filho, pai e irmãos, etc.

“Não há uma receita, mas há uma fórmula certa: não desistir e se conscientizar que há um problema, que é uma doença crônica, incurável e fatal quando não tratada. Nem sempre dá pra esperar o paciente querer, pois ele pode já estar comprometido pelo uso de drogas.

“A desintoxicação médica é apenas o primeiro estágio do tratamento e por si mesma contribui pouco para mudança em longo prazo do uso de droga. O medicamento é um elemento importante no tratamento de vários pacientes, mas precisam ser combinados com outras terapias comportamentais para ajudarem efetivamente o pacientes para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos<ahttp://dependenciaquimica.comunidades.net

A disseminação do uso de álcool e outras drogas é, certamente, o maior flagelo sofrido pela humanidade nos últimos 50 anos. O número de mortos que estas práticas produziram supera as estatísticas de qualquer conflito bélico que a história tenha registrado, sobretudo porque os males não se limitam aos usuários, mas atingem vítimas inocentes.

A mudança de hábitos, a flexibilização dos padrões de conduta moral, a instantaneidade das informações e as facilidades da sociedade de consumo, a aparente normalidade do uso corriqueiro de bebidas alcoólicas e cigarros dentro de casa e nos ambientes sociais, a desagregação familiar, a falta de diálogo franco entre pais e filhos, a curiosidade, a necessidade de afirmação perante um grupo, a propagação da idéia de que existem drogas “inocentes” e, em especial, a ganância de alguns são, entre tantas, algumas das causas desta explosão irracional do uso de álcool e narcóticos.

A vida em sociedade criou esse estado de coisas. Mas os grupos sociais conscientes não se debruçam diante deste cenário em atitude meramente contemplativa. Mobilizam-se na formação e manutenção de entidades públicas, privadas, religiosas, filantrópicas que, congregando pessoas sedentas de informação e auxílio, fornecem aconselhamento, permitem a troca de experiências e proporcionam tratamento aos dependentes.

Mães e pais desesperados batem às portas dessas instituições ou do poder público, relatando que já perderam tudo: a paz, o sono, a saúde, o patrimônio. Agora, estão prestes a perder a esperança e a vida, levadas de roldão pelo comportamento suicida de um filho ou familiar que se atirou no poço profundo do vício, de onde não tem forças para sair.
São divergentes as opiniões acerca da melhor forma de tratamento, mas todos defendem que alguma intervenção terapêutica é sempre melhor do que a omissão. A síndrome de dependência é doença crônica passível de tratamento. O sucesso desta iniciativa, como qualquer intervenção médica responsável, depende do acerto entre a medida usada e as necessidades do paciente. Qualquer atividade de atenção e reinserção social exige a observância de princípios legais, como o respeito ao dependente de drogas ou álcool, a definição de projeto terapêutico individualizado e o atendimento, ao doente e a seus familiares, por equipes multiprofissionais (cf. art. 22, da lei 11.343/06). São raríssimos os casos de adictos ativos que conseguiram se libertar sem o auxílio da família ou de terceiros, o que não significa que todos precisem de internação. Esta alternativa, de caráter extremo, deve ser sopesada por equipe profissional habilitada, de acordo com o grau de dependência do paciente, com a gravidade dos transtornos que ele apresenta, suas peculiaridades socioculturais, o nível de comprometimento familiar na busca do tratamento, a insuficiência de medidas anteriores menos agressivas etc. O tratamento somático e psicossocial bem ajustado, no plano doméstico ou ambulatorial, é capaz de inibir o uso das drogas lícitas ou ilícitas, manejar a fissura, orientar sobre as possíveis recaídas e recuperar pessoas. Mas a internação é, quase sempre, evocada pela família como a primeira e única porta de saída para a crise gerada pelo comportamento desregrado de um de seus membros.

Em contrapartida, é certa a existência de casos que, no mosaico dos programas de reinserção social, exija a internação como o único ou último recurso para um tratamento eficaz. Uma pesquisa americana revelou que 50% dos dependentes químicos apresentam algum tipo de transtorno mental, sendo o mais comum deles a depressão. Muitos são inaptos para aquilatar a própria dependência e a nocividade de seu comportamento e mesmo quando alcançam esse entendimento, não aceitam qualquer tipo de ajuda. Atribuem a idéia de intervenção alheia, mormente sob a forma de internação, a desvarios de quem a sugere. A insistência nesta tecla potencializa a agressividade dos dependentes e gera episódios agudos de crise. Paralelamente, a desorientação dos familiares desemboca, quase sempre, na resposta igualmente violenta (berço de grandes tragédias familiares), na omissão (o doente recebe o anátema de “caso perdido”) ou na busca desesperada pela internação compulsória, tábua de salvação idealizada para o dependente e demais pessoas que com ele convivem.

Surge então o questionamento: é possível obrigar alguém a se submeter a um tratamento? É possível e útil a internação compulsória para tratamento de alcoolistas e dependentes de drogas?

O Código de Ética Médica afirma que o paciente ou seu representante legal tem o direito de escolher o local onde será tratado e os profissionais que o assistirão. O paciente pode decidir livremente sobre a sua pessoa ou seu bem-estar. Os Conselhos de Medicina enfatizam que obrigar o paciente a se submeter, contra a sua vontade, a um regime de confinamento institucional é sinônimo de ilícito penal (cárcere privado). O paternalismo ou o autoritarismo médico é, nesses casos, capaz de inibir ou contrariar direitos elementares de cidadania, próprios da condição humana.

A advertência, entretanto, não pode ser interpretada a partir de uma autonomia que o doente mental não tem. Aplica-se, por coerência, a casos de normalidade psíquica. Para os dependentes químicos, integra o próprio quadro da doença a postura refratária ao tratamento e dobrar-se a esta resistência significa afrontar a mais elementar das prerrogativas: o direito à vida. Ainda que se diga que tratamentos compulsórios são estéreis para gerar resultados proveitosos, a tentativa em obtê-los pela força é o derradeiro grito de quem não consegue cruzar os braços ante a marcha galopante e inexorável de um ente querido rumo ao abismo da morte.

No cotejo entre os direitos constitucionais do cidadão e a imperiosa necessidade de tratamento, a legislação permite que o juiz, em análise firmada na assessoria médico-pericial, possibilite ou imponha a internação. É o que alguns denominam “justiça terapêutica”.

A lei antidrogas prevê que o agente considerado inimputável (por não entender, em razão da dependência, o caráter ilícito do crime) deve ser encaminhado pelo juiz a tratamento médico (art. 45). O magistrado poderá determinar ao poder público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado (art. 28, § 7º, da lei 11.343/06).

O Decreto 891/38, produzido pelo Governo Vargas, continua em vigor e permite que os toxicômanos ou intoxicados habituais sejam submetidos a internação obrigatória ou facultativa, por tempo determinado ou não. A medida tem cabimento sempre que se mostre como forma de tratamento adequado ao enfermo ou conveniente à ordem pública e será efetivada em hospital oficial para psicopatas ou estabelecimento hospitalar submetido à fiscalização oficial. O pedido pode ser formulado pela autoridade policial, pelo Ministério Público ou, conforme o caso, por familiares do doente.

Paralelamente, como medida de restrição a atos da vida civil, o Código Civil também prevê a possibilidade de interdição de ébrios habituais e dos viciados em tóxicos (art. 1767, inc. III, CCB).

Na esfera da Infância e da Juventude, a internação pode ser requerida judicialmente pelo Ministério Público, como medida protetiva à criança ou ao adolescente (art. 101, inc. V e VI, ECA). Há casos em que a internação voluntária é providenciada pelo Conselho Tutelar, independentemente de ordem judicial (art. 136, I, ECA). A inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos é também medida aplicável aos pais (art. 129, inc. II e 136, inc. II, ECA).

A implementação da medida encerra algumas dificuldades. A primeira delas diz respeito às vagas nos estabelecimentos públicos adequados ao tratamento. As redes dos serviços de saúde pública têm obrigação legal de desenvolver programas de atenção aos usuários e dependentes de drogas, seja de forma direta, seja de forma indireta, destinando recursos às entidades da sociedade civil que não tenham fins lucrativos e que atuem neste setor. Todavia, há evidente negligência no cumprimento desta obrigação, o que redunda em permanente carência de vagas para internação. Mesmo havendo determinação judicial, não são curtos os períodos de espera dos que carecem de tratamento. Em razão disso, cresce o número de decisões obrigando o poder público a custear internações em serviços da rede privada de atendimento. Algumas dessas entidades recebem recursos de órgão federal (FUNAD – Fundo Nacional Antidrogas) e se obrigam a prestar assistência gratuita a quem necessita. A questão deve ser analisada sob a ótica das prioridades constitucionais (como, por exemplo, a proteção integral às crianças e adolescentes – cf. art. 227, CF) e do estudo particular das condições familiares de cada necessitado.

 
 
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